by LUIZ ARIAS

larias@usp.br

domingo, 2 de março de 2014

vários


ESPELHO

Hoje atravessei o espelho

E pela imensa rede que liga

Todos os espelhos do mundo

Fui ao do seu quarto

Pude admirar-te enquanto dormias

E ao acordar e espreguiçar

Olhaste para mim

Fiz de suas, as minhas mãos

 Acariciava seus cabelos

Enquanto escovava-os pela manhã

Beijei seus lábios  

Ao sentir o batom contorneando sua boca

 Deslumbrei seu corpo nu

Antes de assentar suas vestes

Mas o desprezo da sua alma a minha

 Manifestava-se ali

Não me vias

Não me sentias

Desesperado e angustiado

Tentei sair dali

Tentei fugir

Vi-me preso

Dentro do vidro espelhado

Mas poderia ser em pensamentos emaranhados

Ou sonhos confusos

Já não sei mais se estou preso no sonho ou no espelho

 O sonho de ter

Reflete no espelho o medo de perder

Nem te tenho e nem te perco

Ao olhar no espelho finjo que te toco

Ao sonhar esqueço que não posso

E ao pular para fora do espelho

Ele quebra

E em mil pedaços  de lembranças

Espedaçadas pelo chão do quarto

Meu amor fica
 
 
kundalini
Sinto a impermanência das coisas e seres
E a ilusão dos fatos
A impressão dos atos
Marcados na pele como cicatrizes
E na alma como tinta que não sai
Do branco papel
Mas o que é ilusão
Senão duas faces
De uma mesma verdade
Da verdade dita por ti
E enxergada por mim
Verdade cega
Que não vê a mentira verdadeira
Fruto da união do será com o talvez
O que esperar então dessa força sincera
Da conjunção carnal e espiritual
De mentes e corpos
Que sobe pela espinha
E termina em um fluxo de orgasmo
Que não sai
Que fica e que alimenta
O que é e o que não será
Esquecido pelo que já foi
Distraído em soluções
Para problemas inexistentes
De dúvidas certas
Em horas erradas
Continuo o caminho torto
Entre a escuridão e a luz
Mantendo a mente reta
E o coração tranquilo
Sereno a turbulência
Com a paz inexistente
Dos meus conflitos internos
 
LIVRO
Prefiro não enumerar as páginas
De minha existência
Melhor escrever a esmo pelo fim ou começo
Acrescentando lembranças
Arrancando dores
Ilustro folhas com fotos
Tiradas com minha mente
Acrescento um pouco de poesia
Aonde não há nada para rir
Rabisco e rasuro
O que quero esquecer
Não me importa o que foi
O que é
Ou o que será
Tudo são fatos mergulhados na memória
Dizem-me o que sou
E se te conheci ontem ou sempre
Tanto faz
O que importa
É que em todas as páginas você  está
 
 
MONTANHA
Hoje sou montanha
Na quietude inabalável de meu ser
Permaneço
Por mais que existam mil vulcões
Dentro de mim
Palavras não entrarão em erupção
Saindo pela minha boca
O tremor de minhas pernas
Será passageiro
Manterei o monte firme e forte
E em silêncio permanecerei
Esperarei sozinho, o sol se por
A lua surgir
Dormirei sob o céu estrelado
Para quem sabe amanhã
Ao cair o primeiro orvalho  
Acordar trovão
Preferia ser vento
A essa monotonia
Essa coisa fria
Desejo ser puro movimento
Gostaria de ser como as águas de um rio
E levar tudo embora
Com a força da correnteza das cachoeiras
E na calmaria das águas paradas
Dar-te de beber e matar a tua sede
Poderia ser fogo
Com labaredas altas   
Todo mal consumir
E com o calor de suas brasas
Aquecer seu corpo em noites de inverno
Mas hoje não
Hoje sou montanha
Na estranha quietude
Da observação
Aceito e contemplo
Espero e durmo
Para quem sabe amanhã, ao cair o primeiro orvalho
 Acordar dragão
 
 
PARANÓIA
Meus pensamentos sem métrica
E sem rima  
São a real sintonia
Daquilo que não entendo
Busco verdades e encontro ilusões
Puras fantasias que não me dizem nada
Quantas bobagens permeiam minha mente
Trazendo sentimentos descontentes
Fazendo os segundos pararem
Oh! Tempo inexorável por que não ages?
Que horas são?
Me interessa saber o exato minuto
De quando devia ser
E depois o aonde já é tarde demais
Já passou, tudo já passou
Agora é apenas hora do café
Lembra? Ainda tomo puro
E você como toma o seu?
Ainda com leite?
Pare com isso menina
Sua cintura continua fina
Pensamentos, sentimentos buscam vazão
Não encontram e me perturbam
Com sonhos e visões
Quantas reflexões,
Melhor seria  
Uma lobotomia
Do que essa imensa melancolia
De ficar horas e horas aguardando
Encontrar você
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014


RIO VERMELHO

Não sei se agrado

Ou se sufoco

Tanto querer perto

Apenas faz afastar

Te digo tudo

Não sei se de jeito bruto

Mas você emudece

Não sei se sorri ou se envaidece

O silêncio me maltrata

Tem cara de adeus

Você diz que isso é intriga

Que fico arranjando briga

E se fecha mais para mim

Daqui a pouco não resta mais nada

Nem silêncio, nem mágoa

Apenas um talvez

Quero então pedir desculpa

Por te amar demais

Desculpa pelo sangue

Que ainda não veio

Que acumula em meu ventre

E faz subir a raiva

E descer lágrimas

De manha faço café para ti

E se não vens

Não te preocupes

Guardo-me para ti

Mais um dia

Quem sabe sem histeria

Ou melancolia

Que o rio vermelho levará

 

 

 

CULPA

Sou forte!

Expresso e demonstro essa força

Mas não para ti

Pude ser quem sou, pude me entregar

Fui sincera, fui plena,

Fui mulher

Sou fria.......mas não para ti

Não admito que me rotules como tal

Porque diabos não me entendes?

Mesmo para ti, as vezes, tenho

Meus momentos de frieza e recolhimento

Queres que finja?

Queres que minta?

Não para ti

Sabes que não consigo

Você arrancou de mim todas as

Masmorras que viviam

Em meu coração

Porque agora...

Insistes em me aprisionar

Em comportamentos reticentes ?

Nem sempre quero ser a mulher

Que te faz feliz

As vezes preciso ser apenas

Eu

De ti...

Apenas o silencio do colo,

Negado....

Porque vomitas tantas palavras

Que lotam o recinto

Deixando-me apertada

Sinto-me expulsa de você

 

CINZAS

 

QUE SAO CINZAS?

A ALMA DO ARTISTA

SUA TELA

OU SUA DOR?

SAO OS SENTIMENTOS

ESCONDIDOS EM SOFRIMENTOS

DAQUILO QUE NAO É

MAS SEMPRE FOI?

AONDE RESIDE A CAIXA DE TINTAS?

ME DE AZUL, ME DE VERDE

QUEM SABE UM POUCO DE VERMELHO

NÃO ENCONTRAVA,

APENAS ASSOMBRAVA

EM RESTOS DE TINTA

AQUILO QUE ERA

VOCÊ É O MEU LARANJA

O AMARELO VIVO DE UM DIA CLARO

SÃO AS CORES PERDIDAS NO FUNDO DA CAIXA

A LUZ BRILHANTE EM MINHA VIDA

A AQUARELA LEVE, COLORIDA E FELIZ

 

A LUA

Para você que não viu a lua

Deixo para ti um pedaço

Do sentimento farto, de um momento inexato

Que deixou minha alma nua

Olhando para ela na escuridão

Senti falta do seu abraço

Meu coração batendo em descompasso

Na triste solidão

Enquanto meus pensamentos

Vagueavam pela imensidão

Por todos os lugares, procurando por ti

Perdido em caminhos sinuosos e tortos

Quis o destino chegar até ai

Para ver a luz da lua refletindo em você dormindo

Pude de leve acariciar seu rosto com um beijo

E como quem espera pelo feito

Vi você se acomodar melhor sob os lençóis

Admirando sua face dormir sorrindo

Esperando despertar para muitos sóis