by LUIZ ARIAS

larias@usp.br

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

OCEANO





OCEANO

Meus pensamentos são como ondas do oceano

Às vezes serenos e calmos

Por muitas outras fortes e turbulentos

Sinto que preciso das forças das ondas do mar aberto

Para ser quem sou

E da tranqüilidade das baías fechadas de águas paradas  

Para manter o que sou

Ah! Essa ressaca que me consome!

Arrastando para a beira da praia

Todos os meus sentimentos

Levando para a mais fina areia

O resultado de minhas náuseas

As águas cristalinas

Hoje são turvas

Pelos mistérios do porvir

Os peixes deixaram de nadar por minhas idéias

E apenas destroços de restos de qualquer coisa

Bóiam em minha mente turbulenta

Ah! Netuno! Ah! Yemanja!

Ou qualquer outro santo

Que me ouça

Me de a serenidade

De um mar tranqüilo

Para navegar 
 
 

CARANGUEJO


CARANGUEJO

Um grande ufa

Pela caminhada exaustiva

Cheguei às pedras

Lá, escondido ou camuflado

Um pequeno crustáceo

Escondendo-se ou camuflando-se

De mim

Às vezes também não sei

Se me escondo ou se me camuflo

Vem a onda, e o pequenino foge

 Agarra-se as pedras

Escondo sentimentos e verdades

Pensamentos e mentiras

Agarro-me ao cômodo

O que esconde

O meu novo e temeroso

Amigo?

Será do monstro visto em mim

 Sem capacidade para se opor?

Eu com tantos medos e temores

Pondo medo em alguém

Qua, qua, qua

Que covarde sou eu

Com medo de alguém do meu tamanho

Com medo de ti

Não, definitivamente não

 

Medo dos sentimentos despertos por ti

Medo de dizer que és minha amada

E ouvir sonora gargalhada

Da boca desejada

Que covarde sou eu

Apenas enfrento o mar

 Em relação à variação de temperatura

Mas minha têmpora dura

Prefere o silêncio

À ousadia 

Mais uma onda

Muito forte, me molha e derruba meu companheiro

A maré o leva embora

Tantos pensamentos e sentimentos

Indo e vindo

Como as ondas do mar

O que será que pensa

O caranguejo

Devia perguntar

Não é mais possível

A onda o levou embora

Adeus

Que espero

Nunca te dar

O VOO DA FENIX AZUL


O VOO DA FENIX AZUL

Adormecida pelos sedativos da vida

Eis que surge linda

Erguendo-se aos céus

Não veio das cinzas

Mas trás no peito seu calor

A força do fogo que aquece

E a rapidez da brasa desperta o amor

Serena e calma como uma prece

Violenta e brava ao dissabor

Livre, fugaz

Faz do céu seu caminho

As estrelas seus guias

E o vento forte seu motor

Seus olhos emitem a força e a vontade

Sua voz provoca o desejo

Deixa saudade

Cria lampejos de alegria e de dor

Fênix azul suba aos céus

E vá buscar

Os segredos do sol, para me dar

Oh! Fênix azul

Desça ao chão

E vá procurar 

Pelas matas e florestas

As ervas e frutos para acalmar

E as feridas fechadas e abertas,  aliviar

Mergulhe profundo em rios

Traga a mais doce água que houver

Para sanar calafrios

E matar a sede

Que brota de corações vazios

De sentimentos plenos

E sem sentidos

Mas que fazem a vida

Valer a pena

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

DE VOLTA


ABSOLUTO SILÊNCIO

 

Quero te olhar nos olhos

E face a face

Em um abraço, ficar  

Dentro de você

E vivenciar todo o silêncio do mundo

Calar todos os gemidos

Suspender o barulho da respiração

Sentir o calor subindo por nossa pele

Grudados e apertados

Sentiremos nossos corações batendo

Como se fossem um

Quero um silêncio profundo

Que seja até possível ouvir nossos pensamentos

E nesse absoluto silêncio

Você ouviria minha alma gritar

Eu amo você

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013